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Mais de 30 mil mulheres marcham na Paulista contra a opressão machista e reacionária

Publicado por Adriano Medeiros, em 05/11/2015 às 08:31

Em maio de 1968, em Paris, França, milhares de mulheres saíram às ruas e queimaram sutiãs contra a opressão machista e patriarcal. O ato marcava um avanço da luta das mulheres por direitos iguais, que se espalhava pelo mundo.

 

Dia 30 de outubro de 2015, uma sexta-feira quente, milhares de pessoas (maioria de mulheres e jovens) esquentaram o coração financeiro do Brasil, a Avenida Paulista, com manifestação de amor e vontade de avançar.

 

Mais de 30 mil pessoas, segundo os organizadores,  começaram uma marcha na Praça do Ciclista, ali bem próximo à Avenida Consolação, fechando uma pista inteira da Paulista e depois descendo pela Brigadeiro Luiz Antônio. A principal palvara de ordem: "Fora Cunha".

 

Com muita alegria, as mulheres levaram para a rua o seu grito contra o Projeto de Lei 5069/2013, de autoria do ainda presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Esse PL proíbe até a pílula do dia seguinte até para mulheres vítimas de violência sexual.

 

“A nossa luta é contra o machismo, o racismo e a LGTBfobia”, disse Maria das Neves, da União da Juventude Socialista Feminista e da União Brasileira de Mulheres.

 

protesto mulheres contra cunha pl 5069

 

Logo em seguida vem a ciranda das mulheres, maioria absoluta de jovens. “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente com a roupa que escolhi e poder me assegurar que por causa do shortinho, ninguém vai me estuprar” (paródia de “Eu só quero é ser feliz”, de Julinho Rasta e Kátia).

 

Os bares lotados da Paulista pararam para ver a passeata, fotografar e filmar com seus celulares e pular quando as manifestantes gritavam: “quem não pula é machista”. Uma velha senhora sentada num banco de ônibus filmava alegre o cortejo. “É muito bom isso, meu filho”, disse a senhora.

 

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“Estamos na rua contra o ódio, a violência e a discriminação de gênero”, disse Maria. Perto de um cartaz que dizia “Cunha é o inimigo número 1 das mulheres”. “Mas não é só ele, são todos os fundamentalistas religiosos, os misóginos, os que odeiam homossexuais”, complementa a líder feminista.

 

Depois as meninas entoaram: “machismo mata, feminismo liberta” ao se referir aos milhares de assassinatos de mulheres que acontecem diariamente no país. “A cada 15 segundos uma mulher é agredida”, dizem.

 

Em relação ao estupro, estima-se que mais de 500 mil mulheres são estupradas anualmente no Brasil. E o PL 5069 criminaliza as vítimas e privilegia os criminosos.

 

Enfim, a multidão feminista deu o seu recado em alto e bom som: “estaremos nas ruas até esse PL ser arquivado, juntamente com todos os outros projetos que trazem o retrocesso, privilegiando a desigualdade e a violência”, diz Maria.

 

“A unidade de todas as mulheres é capaz de derrotar o fascismo que tenta tomar conta do país”, complementa. 

Fonte: CTB

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